No passado dia 8 de Março, a Juventude Socialista de Arruda dos Vinhos celebrou o Dia Internacional da Mulher com a realização de um debate subordinado ao tema: “O papel da Mulher na Sociedade actual, eventual subsistência de fenómenos de desigualdade de género”, com um painél composto pelas oradoras: Dra. Cacilda Dias (médica); Dra. Daniela Azevedo (jornalista) e Dra. Cláudia Pereira (Professora).
A JS expôs também um conjunto de cartazes gentilmente cedidos pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género alusivos à homenagem a altas individualidades femininas galardoadas com o Prémio Nobel, ao longo dos últimos anos.
Assistiu ao debate uma plateia essencialmente feminina e heterogéneo, num misto de juventude e de experiência acumulada e onde o clima de partilha e troca de ideias enriqueceu todos os participantes neste debate.
Não se pretendeu com o presente debate abrir a caixa de Pandora sobre este tema que tem sofido muitos desenvolvimentos ao longo das últimas décadas, e fundamentalmente desde o surgimento de movimentos cívicos como o caso das sufragistas nos primórdios do século passado. O que se pretendeu fundamentalmente foi celebrar os feitos e conquistas sociológicas das mulheres nos últimos tempos, e enaltecer o inegável e insubstituível papel da mulher na sociedade intemporal, precisamente a capacidade de aliar as inegáveis competências profissionais com a preponderância no substracto familiar como base de toda a construção social. Foram ainda abordadas diversas questões importantes da sociedade actual, nomeadamente o papel cada vez mais preponderante, e do peso dominante das mulheres a vários níveis do ensino e inclusivé no Universitário, factor que representará a breve prazo a ascensão do elemento feminino à elite cultural portuguesa.
Foram igualmente afloradas também algumas questões que atestam a existência ainda de algum tipo de discriminação, nomeadamente no que tange à assimetria salarial entre homens e mulheres no que diz respeito ao desempenho de funções profissionais idênticas.
De um modo geral, as oradoras foram unânimes em considerar que apesar de tudo muito se tem feito nos últimos tempos neste domínio, sendo que os fenómenos discriminatórios têm apenas uma vocação residual, pelo que não fará muito sentido haver um dia específico comemorativo da Mulher nas sociedades Modernas Ocidentais, mas sim nas Sociedades Islâmicas onde a mulher tem um estatuto inexoravelmente precário em face da mais elementar dignidade humana.
O problema apesar de tudo continua a situar-se ao nível opcional e ao nível disponibilidade, porque, em termos gerais é assente que existem as mesmas oportunidades sociais entre homens e mulheres, mas o cerne da questão prende-se com o facto de que a determinado momento da sua vida, a mulher ter que se dedicar às tarefas familiares em detrimento da sua carreira profissional, factor que é avesso à compreensão do mercado de trabalho (aqui sim, ainda há muito caminho a percorrer no âmbito da protecção legal do emprego e da maternidade).
Para concluir e ainda digno de referência, verificou-se a concordância da Mesa relativamente às recentes alterações legislativas impulsionadas pelo Governo no domínio da Lei da Paridade (no sentido de contribuir para a participação política das mulheres a um nível mais alargado), e dos Incentivos à Natalidade.
Ficou a promessa de se repetir a iniciativa, em homenagem às tecelâs nova iorquinas que sucumbiram às mãos da classe patronal quando “apenas” reclamavam uma justa redução na carga horária, facto este que está umbilicalmente ligado com a institucionalização do Dia Internacional da Mulher.
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