À esquerda do imobilismo

Esta semana, nas mais altas instâncias da União Europeia, os Estados-Membros preparavam-se para ceder a mais uma investida da avalanche capitalista neo-liberal… naquilo que nos “impingem” tratar-se das necessidades prementes, irreversíveis e inadiáveis da muita “flexibilidade”, sem segurança…

A medida mais “sonante”, em concreto, a aprovar, seria a possibilidade de aumento do tempo de trabalho das 40 para as 65 horas.

O Governo português, por intermédio do seu ministro do Trabalho, o Dr. Vieira da Silva, votou contra tal intento, numa atitute que me parece claramente merecedora de toda a consideração e louvor, por parte de todos aqueles que se arrogam como sendo os arautos da defesa dos direitos fundamentais dos trabalhadores…

Estranhamente não vi nem a CGTP, nem a sua filial sindical operacional (in)visível (o PCP), a congratular tal tomada de posição (corajosa) do Governo português… ao invés disso, preferem certamente mobilizar mais de 200 mil manifestantes contra uma proposta de alteração ao Código do Trabalho que não se preocuparam previamente em conhecer, nem sequer em sede de concertação social…enfim, se calhar talvez seja melhor fazer uma manifestação no “escuro” e com o deserto de ideias no horizonte, já que não se preocuparam em apresentar propostas alternativas, tudo em prol do boicote à concertação social…eles que deviam ser os seus principais defensores.

O que é que se pode fazer… já estamos habituados a este modus operandi  desta esquerda autocrática, do voto contra tudo sem apresentar alternativa…

Assim não se defendem realmente os direitos de ninguém, muito menos dos trabalhadores…

É este o sintoma do imobilismo facilitista e pseudo-populista que graça em determinados sectores da esquerda “radical”… a esta esquerda imobilista, o Governo arrepia caminho e apresenta-se ainda mais à esquerda desta indiferença, na ânsia de preservar aquilo que ainda nos resta da componente social do Estado de Direito democrático… valha-nos isso!   

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